1. Dignidade e equivalênciaParte-se do reconhecimento de que todo o ser vivo, bem como a experiência humana, possui igual dignidade. Toda a vida merece reconhecimento. Toda a existência merece validação. Aqui acolhe-se a diversidade de corpos, culturas, línguas, modos de percepção, identidades, sistemas de crenças e percursos de vida, promovendo um espaço de respeito, escuta e presença. Cultiva-se o olhar generoso, livre de hierarquias de valor, onde cada pessoa possa existir sem necessidade de se justificar. A relação estabelece-se na equivalência: ninguém acima, ninguém abaixo - apenas humanos em encontro, atentos ao que pode emergir do diálogo. É neste campo de confiança que novos sentidos podem tornar-se visíveis.2. Responsabilidade partilhadaAs escalas de valores propostas permitem equilibrar acesso e sustentabilidade. Quem pode contribuir com valores mais elevados ajuda a manter este trabalho disponível para quem atravessa momentos de maior fragilidade, criando uma economia de cuidado e continuidade.3. Enquadramento e limites.Cuidar da continuidade do trabalho é parte integrante da ética deste lugar. Respeitar o tempo, a energia e os limites envolvidos garante que a escuta oferecida permaneça íntegra, disponível e verdadeira. Estas práticas não substituem acompanhamento médico, psicológico, terapêutico ou ensino artístico mais especializado, podendo, sempre que necessário, encaminhar para profissionais qualificados nessas áreas. Reconhece-se, assim, a importância do diálogo entre diferentes campos de conhecimento, em benefício do cuidado, da aprendizagem e do desenvolvimento integral de cada pessoa.3.1 - Contextos de laboratório e oficinaNos contextos de exploração corporal e criativa, reconhece-se que determinados processos podem gerar estados de cansaço físico ou mobilização psíquica significativa. Tais estados podem fazer parte de percursos de investigação artística e implicar a aproximação consciente a limites individuais e colectivos.Nesses casos, torna-se essencial nomear, escutar e ajustar continuamente o ritmo, a intensidade e o enquadramento do trabalho, de modo a distinguir entre esforço transformador e desgaste prejudicial, de modo a preservar a integridade, o descanso e o bem -estar de cada participante.Afirma-se, assim, uma ética que sustenta simultaneamente a exigência do processo artístico, a responsabilidade pedagógica e o cuidado vivo pelo corpo e pela experiência humana, em função dos formatos, intenções e contextos de cada grupo.4. Confidencialidade e cuidado colectivoTudo o que é partilhado em leituras de mapas astrológicos, laboratórios, oficinas e espaço de escuta é tratado com discrição e respeito. Nos contextos de grupo, promove-se o ambiente de confiança mútua, onde cada pessoa participa na responsabilidade pelo espaço comum.5. Consentimento e evoluçãoA estrutura apresentada é considerada suficientemente segura para ser experimentada no momento presente. Mantém-se aberta à revisão sempre que a experiência indicar a necessidade de novo equilíbrio.
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